quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Empreendedorismo: da Escola Básica ao Ninho de Empresas

O propósito de incluir na educação escolar, a partir dos primeiros anos do ensino básico, a temática do empreendedorismo pode parecer, numa primeira análise, algo despropositado e até inusitado. No entanto, o Projecto Educação para o Empreendedorismo, do Ministério da Educação, que já não é de agora, reconhece que "existe a consciência generalizada de que a escola deve promover atitudes de empreendedorismo nos jovens, considerando-se que essa orientação constitui uma dimensão crítica na educação das novas gerações e no desenvolvimento sustentado de Portugal."

Partindo do pressuposto que não se nasce empreendedor e que muitas das competências implicadas na capacidade de iniciativa, são passíveis de ser aprendidas e treinadas desde muito cedo, reconhece-se que "a capacidade para inovar e para criar não está seguramente gravada no DNA nem faz parte do genoma dos Seres Humanos." É neste sentido que "uma formação para o empreendedorismo ganha grande relevância tendo em conta que não se nasce necessariamente com um espírito «empreendedor», mas que é possível adquirir conhecimentos, competências e atitudes que incentivem e proporcionem o desenvolvimento de ideias, de iniciativas e de projectos que visem criar, inovar ou proceder a mudanças na área de actuação de cada um." – são também palavras do Ministério da Educação.

É reconhecido, nos dias de hoje, que a inovação e a criação são factores críticos do desenvolvimento que dependem muito da atitude e dos comportamentos de cada indivíduo. O mesmo é dizer que as pessoas que conseguem inovar e são capazes de criar, são aquelas que atingiram razoáveis padrões de realização pessoal e de cidadania, seja no campo da economia, seja nas áreas da cultura, da política ou das artes.

Integrados que estamos na União Europeia, muitas destas ideias e projectos educativos nasceram de preocupações dos responsáveis das instituições europeias. Já em 2005, a Comissão entendia que, para atingir os objectivos da Estratégia de Lisboa, havia que privilegiar o conhecimento, a inovação e a promoção de uma cultura mais empreendedora, a ser inculcada nos jovens, desde o ensino escolar.

Mas também o relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors (1999) constitui, no âmbito deste desígnio, um importante documento de reflexão. Quando aí se fala dos "quatro pilares" da Educação no séc. XXI – aprender a ser; aprender a viver juntos, aprender a conviver com os outros; aprender a conhecer e aprender a fazer – facilmente se compreende que toda esta dinâmica de educação para o empreendedorismo faz todo o sentido.

O tema está, pois, na ordem do dia. A formação a nível escolar está em curso, na maioria dos casos, em parceria com os municípios. Aqui, mais perto de nós, temos o exemplo dos concelhos que integram a designada região das "Terras de Sicó" que têm vindo a desenvolver acções de formação e outras iniciativas, quer junto de professores, quer junto da população escolar, aproveitando inclusivamente os programas comunitários para o apoio financeiro. Em Mortágua, não no contexto escolar, mas integrada no Ninho de Empresas, também se faz a promoção do empreendedorismo, estimulando a inovação e o espírito de iniciativa dos jovens. Penacova, estamos convictos, será um dos próximos municípios a agarrar a ideia, quer através de programas escolares, quer através do apoio à iniciativa empresarial, agarrando esta dinâmica que, um pouco por todo o país, está a ser promovida com a boa receptividade das entidades responsáveis.

David Almeida
artigo publicado no jornal Frontal
Junho 2011

Sem comentários:

Publicar um comentário