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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Jornal de Penacova (1901-1937)

Considerando a primeira metade do século XX, o concelho de Penacova viu surgir seis periódicos locais. Dois deles com uma vida relativamente longa.  Os restantes com uma efémera existência. No primeiro caso inclui-se o Jornal de Penacova e o Notícias de Penacova. No segundo, por ordem cronológica:  A Folha de Penacova,  Ecos de S. Pedro de Alva, O Progresso Lorvanense e A Voz de S. Pedro de Alva.

O Jornal de Penacova foi, segundo tudo leva a crer, o primeiro periódico a ser publicado nesta vila. Surgiu a 1 de Setembro de 1901. À sua fundação estão associados os nomes de Joaquim Correia de Almeida Leitão, José Ubaldo Correia Leitão, Júlio Ernesto de Lima Duque e Alberto Carrapatoso. No primeiro editorial intitulado ''A Caminho…'' escreve-se que Penacova não podia ''permanecer sequestrada dos embates do pensamento'' e afastada do ''progresso social que movimenta o vestíbulo do século XX, inundando de luz intensa a aurora secular que desponta''. Não podia – nem devia – ''quedar-se muda, indiferente e descuidada perante a necessidade de propaganda em pró dos seus interesses públicos, ela que tanto ardor tem posto no triunfo dos seus ideais políticos e administrativos'' sendo, pois, ''indispensável que tenha voz na imprensa para colher autoridade no concerto económico, político e literário da nação''.

Ao longo da sua existência (1901-1937) o Jornal de Penacova assumiu diversas tendências políticas. Inicialmente afecto ao Partido Progressista, ganhará a partir de 1908 uma inequívoca feição republicana. Em Dezembro de 1907, Amândio dos Santos Cabral, chegado de S. Paulo,''compra'' o jornal, e define um ''Novo Rumo" declarando "guerra aberta com a monarquia e o ultramontanismo." Em Janeiro de 1914, ainda com Amândio Cabral, como director e redactor principal, apresenta-se como ''Semanário Republicano Evolucionista'', numa identificação clara com a orientação política de António José de Almeida.

Em 1917, Amândio Cabral regressa ao Brasil e convida Alberto de Castro, do Partido Democrático, a assumir a direcção do mesmo. A propriedade continuará a ser de Amândio Cabral, mas agora com o lema ''Pela Pátria – Pela República''. Em 1918, ainda com Alberto de Castro, o Jornal assume-se como ''Semanário do Partido Republicano Português", colando-se assim ao Partido Democrático de Afonso Costa. Por motivos que desconhecemos, o Jornal de Penacova não se publicou de Setembro de 1919 a Maio de 1920, o que corresponde a cerca de oito meses de interregno. A 26 de Julho de 1920, Alberto Lopes de Castro Pita deixa o jornal e verifica-se outra mudança significativa. ''Vida Nova'' será o título do novo editorial. Assume a direcção Rodolfo Silva, filho do Dr. Rodolfo Pedro da Silva. Intitula-se agora de ''Semanário Independente''. Amândio Cabral cede a propriedade à empresa "Alves e Coimbra & Cª Lda". O editor passará a ser José Alves de Oliveira Coimbra.

Em 1922 o Jornal de Penacova suspende a sua publicação por um período de quatro anos, só voltando a aparecer em 1926. Regressará com o número 1040, em 12 de Junho de 1926. A ficha técnica aponta-nos para João Barreto como director, José Alves de Oliveira Coimbra como editor e Alípio Carvalho, como administrador. Neste "primeiro" número comenta-se o regresso: "Quando algum jornal começa a publicar-se ou quando depois da sua suspensão mais ou menos longa, reaparece, é da praxe dizer ao leitor ao que vem". Ora, "aqueles que esperam ver o Jornal de Penacova enveredar pelo caminho da má-língua e da intriga de soalheiro que se atribui às terras pequenas da província muitas vezes sem razões – enganam-se".

Na edição de 19 de Junho daquele ano junta-se à equipa Mário Quaresma Gomes, jovem professor a exercer em Chelo, assumindo a redacção. João Barreto abandonará a direcção em 30 de Abril de 1927, invocando motivos de saúde, mas manifestando também alguma discordância com a linha editorial. Mário Quaresma continuará como redactor principal e agora também como director. Em 1928, este cessa as suas funções, dando lugar a Eduardo Silva, filho do Dr. Rodolfo Pedro da Silva. Por sua vez, em Maio de 1929, surge como redactor deste "Semanário Republicano", António Casimiro Guedes Pessoa, que ocupará o cargo até 9 de Agosto de 1930, fazendo equipa com o editor José Alves de Oliveira Coimbra e com o administrador Alípio Carvalho.

Em 1930, verifica-se nova suspensão: de 9 de Agosto de 1930 (n.º 1254) a 1 de Agosto de 1931 (n.º 1255). Regressa com Eduardo Silva que será o redactor até 30 de Julho de 1932, data em que passa a editor, assumindo a direcção o seu pai, o médico municipal aposentado, Rodolfo Pedro da Silva. Terá como administrador o advogado Mário de Andrade Assis e Santos e apresenta-se agora como ''O mais antigo e de maior tiragem e expansão neste concelho".

"Novo Rumo": mais uma vez este título para traduzir uma nova mudança de orientação. Esta dá-em Janeiro de 1933 quando Horácio Cunha assume a responsabilidade do jornal. Em 1934, Alípio Correia Leitão deixa a administração que passa para Simões da Cunha e, em 1935, Eduardo Silva aparece de novo como redactor principal, cargo que manterá até ao último número (o 1456) saído em 1 de Janeiro de 1937.

O título Jornal de Penacova é recuperado quando, em 1997, surge no concelho um novo jornal, de periodicidade mensal, fundado e dirigido por Álvaro Coimbra. Propriedade da Penapress, publicou-se durante cerca de 10 anos, marcando positivamente o panorama jornalístico concelhio.

David Almeida,
jornal FRONTAL de 18 de Outubro de 2011

Fonte: Penacova e a República na Imprensa Local