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sábado, 28 de janeiro de 2012

Entrevista ao Nova Esperança: Penacova e a República na Imprensa Local

Conforme noticiámos no número anterior, acaba de ser publicada mais uma obra sobre Penacova, desta vez sobre a história local no primeiro quartel do séc. XX. Da autoria de David Almeida e editado pela Câmara Municipal, foi apresentado no dia 5 de Outubro o livro Penacova e a República na Imprensa Local. Hoje o NE publica uma entrevista, procurando saber mais alguns pormenores sobre este trabalho historiográfico.

NE: Como surgiu a ideia de escrever e publicar esta obra?
DA: O gosto pela história conduziu-me há alguns anos atrás a consultar alguns jornais que se publicaram no concelho de Penacova no início do século passado. No contacto com essas fontes saiu reforçado o interesse pela história local, dado que nesses periódicos se encontram muitos episódios que retratam a vida social e política da época que coincidiu com os tempos conturbados da implantação da República. Em conversa ocasional com o Prof. Doutor Luís Reis Torgal falámos das comemorações do Centenário da República no nosso concelho e logo aí aquele historiador me convidou a participar num colóquio programado pela Câmara e que estava a estruturar na qualidade de membro do CEIS20, que é um Centro de Estudos da Universidade de Coimbra. O Colóquio teve lugar em Fevereiro passado, tendo a minha intervenção focado o republicanismo em Penacova. Daí surgiu então o incentivo, quer do Prof. Reis Torgal quer da Câmara, para que o tema ficasse registado em livro.
NE: O livro foi apresentado ao público no dia 5 de Outubro. Teve boa receptividade? Onde se pode adquirir?
DA: Creio que sim. A sessão de lançamento, integrada nas comemorações concelhias do 5 de Outubro, teve lugar na Sala Dr. Leitão Couto, na Biblioteca/Centro Cultural de Penacova e foi presidida pelo Senhor Presidente da Câmara. A apresentação da obra coube ao Prof. Reis Torgal que também escreveu o prefácio. A sala foi pequena para a assistência e até ao momento tenho recebido muitas mensagens de apreço por este trabalho. Dado que se tratou de uma edição da Câmara Municipal, com o apoio científico do CEIS20, encontra-se à venda quer no Posto de Turismo quer na Biblioteca, em Penacova. Não tenho qualquer interesse financeiro no assunto. O facto de poder partilhar, com o apoio da Câmara, este conjunto de elementos que considero importantes para a nossa identidade enquanto penacovenses já é muito gratificante.
NE: O Jornal de Penacova de 8 de Outubro de 1910 noticia o modo como foi aclamada a República em Penacova. O livro centra-se nesse acontecimento ou traz algo de menos conhecido dos penacovenses?
DE: Esse é um ponto importante, sim. Além do relato da imprensa local, o livro reproduz também o Auto de Aclamação, onde podemos ver as assinaturas de cerca de sessenta pessoas que no dia 7 (uma vez que no dia 6 a Câmara estava fechada e não havia livro de Actas) subscreveram aquele acontecimento vivido com entusiasmo em Penacova. De facto muitas pessoas de Penacova já conheciam tudo isso, mas considero que o livro apresenta elementos que eram menos conhecidos, como por exemplo, todo o movimento republicano anterior a 1910 que teve um episódio marcante em 1890, quando o pai de António José de Almeida se torna republicano e apresenta o pedido de demissão do cargo de Presidente da Câmara que então exercia. Outro acontecimento muito pouco conhecido é o grande comício que, em 1909, juntou 3000 pessoas em S. Pedro de Alva.
NE: E depois do 5 de Outubro? Há algum aspecto que gostaria de salientar?
DA: Há um aspecto que o livro contempla que é traçar alguns aspectos biográficos dos republicanos que mais se destacaram, quer antes, quer nos tempos que se seguiram, quer promovendo palestras e criando comissões republicanas locais, quer assumindo as rédeas dos poder a nível concelhio. Também o papel da imprensa local (alguns jornais desconhecidos de muitas pessoas, como o Ecos de S. Pedro de Alva e O Progresso Lorvanense, é desenvolvido no livro e é traçada uma síntese da imprensa local em Penacova, no período de 1901 a 1937, estudo que não estava feito. Resumo que pode ser o embrião para uma história da imprensa local no século passado.
NE: Sendo António José de Almeida natural de Penacova, que lugar ocupa no livro?
Há um capítulo dedicado a esse aspecto, dado que considero que este Político e Estadista Penacovense foi, de facto, uma figura tutelar do republicanismo no nosso concelho e desempenhou, juntamente com o Jornal de Penacova, dirigido por Amândio dos Santos Cabral, um papel catalizador dos acontecimentos que antecederam 1910 e que se seguiram. O Partido Evolucionista, por si fundado, teve em Penacova muitos seguidores, mas desde muito cedo, a começar pelos tempos de estudante e activista republicano em Coimbra, a sua influência doutrinária se fez sentir em diversos momentos.
NE: Gostaríamos de saber como se estrutura o livro
DA: Penacova e a República na Imprensa Local tem cerca de 200 páginas. Apresenta algumas ilustrações, quer de paisagens de Penacova em 1909, quer de algumas figuras republicanas, dos cabeçalhos e páginas dos jornais da época e como já se referiu, do Auto de Aclamação. Em termos de capítulos destacaríamos: últimos anos da Monarquia: dinâmicas sociais e políticas; militância republicana e proclamação da República; transição e consolidação político-administrativa; afirmação republicana depois do 5 de Outubro; reflexos da questão religiosa; comemorações do 5 de Outubro; António José de Almeida – figura tutelar das movimentações republicanas em Penacova; algumas personalidades republicanas (membros da comissão republicana em 5 de Outubro, personalidades que ocuparam cargos de projecção nacional, alguns nomes ligados ao núcleo republicano do alto concelho e outros republicanos penacovenses). Ainda, um capítulo sobre a Imprensa Local, em especial o Jornal de Penacova, A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense, Ecos de S. Pedro d'Alva e A Voz de S. Pedro de Alva.
NE: A terminar, que mensagem gostaria de deixar?
DA: Considero que este trabalho, sendo um modesto contributo para a nossa história local, pode ser um ponto de partida e um desafio para que outras pessoas aprofundem estes temas. Também gostaria de recordar aqui algumas palavras do Prof. Doutor Reis Torgal quando no prefácio escreve: "… Fica assim esta obra a assinalar o Centenário da República. Só falta coroá-lo com a compra pelo Município, e utilização conveniente, da casa onde nasceu António José de Almeida, em Vale da Vinha. (…) Deve criar-se em Penacova uma casa que tenha como patrono o único Presidente da Primeira República a cumprir o mandato completo (…) Assinalará não propriamente um regime (…) mas os seus ideais mais significativos, a respublica, o amor à “coisa pública”, na qual todos nos devíamos rever, esquecendo interesses pessoais, de classe ou de grupo, ou, pelo menos, não os sobrepondo aos interesses nacionais."
 publicado no Nova Esperança, edição relativa a NOV 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novo livro de Joaquim Leitão Couto (2010)

Segundo o autor, este livro é "uma tentativa de escrever um hino de amor "às suas origens na Beira Alta", aos familiares e também a esse mundo que "estás prestes a não mais existir, pelo menos nos moldes ancestrais de há setenta anos".
Memórias da Quinta do Pinheirinho, das Férias em Vila Nova, da Gastronomia, do Cultivo dos Campos… Recordações de laços familiares, de vivências que perduram no tempo e para além dele.

Joaquim Leitão Couto, prestigiado médico ortopedista e autarca respeitado (foi Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Penacova), é autor e co-autor de diversas publicações e mentor de inúmeros projectos relacionados com o património cultural. A ele se deve a instalação do Museu do Moinho Vitorino Nemésio, do Museu dos Fornos de Cal e dos Carpinteiros do Casal de Santo Amaro, da Exposição da Casa da Freira sobre Moleiros, Cabouqueiros, Carpinteiros, Pescadores do Mondego e Tanoeiros. Publicou em 2007 Os Mosteiros e o Vinho e esteve ligado à criação do Museu da Tanoaria em Miranda do Corvo.


Texto de David Almeida
in NE