sábado, 17 de dezembro de 2011

Imprensa Local III - A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense e o Notícias de Penacova

Referimos no penúltimo número (do Frontal) o percurso do Jornal de Penacova (1901-1937) e, na última edição, escrevemos sobre os jornais republicanos de S. Pedro de Alva, nomeadamente o Ecos de S. Pedro d´Alva (1915-1918) e A Voz de S. Pedro de Alva (1928-1932). De modo a concluirmos este conjunto de apontamentos sobre os periódicos penacovenses no período que vai de 1901 a 1978 (aparecimento do Jornal de Penacova e fim do Notícias de Penacova, respectivamente), há que recordar A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense e o Notícias de Penacova.
No dia 19 de Janeiro de 1902 vem a lume A Folha de Penacova, afirmando-se como ´´Semanário dos Interesses do Povo da Comarca´´. Apresenta como editor César de Morais Queiroz e como proprietário José Maria de Oliveira. A redacção e a administração estavam sedeadas na Rua do Arcediago Alves Mendes e era impresso na Rua Martins de Carvalho, em Coimbra. Tal como refere o primeiro editorial sob o título ´´Na Brecha´´, Penacova que ainda há uns meses estava bem longe de ter imprensa sua, passa agora a ter dois periódicos."
A Folha de Penacova surge em nítido confronto com o Jornal de Penacova, que "alcunhava" de Canudo. Afirma-se no referido editorial: ´´Militamos na política que foi a de nossos pais, naquela mesmíssima política que já foi a de todo este concelho, e à qual se deve tudo que por aí há de melhor. […] Se certos farroncas tiveram o desplante de a renegar, não podemos nós outros abjurá-la.´´ O jornal afirma-se, assim, como afecto ao Partido Regenerador, "honrando a memória de Fernando de Melo" e "rendendo-se à chefia do Conselheiro Hintze Ribeiro."
Durante a sua breve duração (terminará com o 12.º número a 10 de Abril de 1902) iremos assistir a um violento e cerrado ataque a Júlio Ernesto de Lima Duque, militar-médico, genro do Conselheiro Alípio Leitão e membro influente do Partido Progressista. A Folha de Penacova vem a terreiro defender o Administrador do Concelho, Alfredo de Pratt, que estava a ser atacado por Lima Duque no sentido de ser afastado do cargo. O tom polémico, irónico, por vezes ofensivo, foi uma constante das edições daquele semanário durante toda a sua existência – o primeiro trimestre de 1901.
A 23 de Janeiro de 1921 aparece O Progresso Lorvanense, semanário ´´Independente, Defensor dos Interesses da Região´´. Joaquim Jerónimo Rosa da Silva é o editor e director, enquanto Manuel Ferreira Pedrosa assume a administração. O jornal é propriedade do ´´Lorvanense Club´´. No editorial afirma a sua isenção política dizendo que ´´não tem política partidária´´ mas sim uma ´´política de fomento´´. De 23 de Outubro de 1921 a 2 de Abril de 1922 suspende a publicação. Em 11 de Junho de 1922 regressa com o n.º 41, sendo agora propriedade da Empresa Industrial de Lorvão.
O período em que é publicado corresponde a uma fase conturbada da vida local: a exoneração do Padre Carlos Fernandes Seabra, mal aceite pela maioria da população, facto a que o jornal dá acolhimento em defesa do presbítero. O caso foi mesmo apelidado de Cisma de Lorvão, dado que só "as povoações da Serra haviam ficado fiéis à Igreja." Ao longo do curto período de existência dominam os conflitos quer com padres do concelho, quer com o Bispo de Coimbra.
Terminará a publicação com o n.º 68, em 15 de Outubro de 1922. Lorvão só voltará a ter alguma voz na imprensa local quando, em Dezembro de 1952, José Manuel Rodrigues (Pároco) e Edmar Guimarães de Oliveira, lançarão a Página da Freguesia de Lorvão, de periodicidade quinzenal, integrada no Notícias de Penacova.
À vida curta destes jornais virá contrapor-se o Notícias de Penacova que teve uma existência bem mais longa: quase 50 anos. Nasce a 26 de Março de 1932 assumindo-se como ´´Semanário Regionalista´´. Enquanto director e proprietário surge o nome de José de Gouveia Leitão (filho do Conselheiro Artur Leitão) e terá como editor João Barreto (que estivera ligado ao Jornal de Penacova). O redactor principal é Joaquim Jerónimo da Silva Rosa, natural de Lorvão e escrivão do Julgado Municipal de Penacova de 1931 a 1937. O administrador era o professor e delegado da Junta Escolar, José Joaquim Nunes. Apresenta-se como ´´integrado na corrente que de norte a sul se desenha´´. Passado um ano de publicação, o jornal assume-se como afecto do "nacionalismo triunfante". Até 1937 coexistirá com o Jornal de Penacova num clima de alguma tensão. Exemplo disso, foi a polémica que estalou em 1935 intitulada "O Jornal de Penacova e os Glorificados", atacando Alípio Leitão, Horácio Cunha e Assis e Santos e acusando aquele periódico de ser o "órgão do reviralhismo penacovense".
Nas últimas décadas de existência será marcado pelas figuras do Prof. e Delegado Escolar Joaquim de Oliveira Marques, do P.e Manuel Marques  e do Arcipreste, e mais tarde Cónego, Manuel Vieira dos Santos (que era o seu proprietário). Com a morte deste em 1966, a sua gestão passa para a Igreja de Penacova. Após o 25 de Abril de 1974 Joaquim de Oliveira Marques é "saneado" e passarão a ser os sucessivos párocos de Penacova os seus directores.
Nos 46 anos de existência publicaram-se 2175 números. Por motivos financeiros, terminará em 8 de Dezembro de 1978.
Refira-se que no ano de 1979, Penacova não terá nenhum jornal, mas em Janeiro de 1980 surgirá o Nova Esperança, sob a égide do Prof. Egídio Fialho Santos e do P.e António Veiga e Costa. Em 1997 ressurgirá o título Jornal de Penacova, pela mão de Álvaro Coimbra, publicando-se durante cerca de dez anos.
Fica assim traçado o percurso da imprensa local penacovense. Nas suas páginas, muitas delas amarelecidas pelo tempo, podemos encontrar valiosos elementos para o conhecimento da história local e para a compreensão do que Penacova foi no século passado e pretende ser neste século XXI.
Fontes: David Almeida, Penacova e a República na Imprensa Local, edição da CM de Pencova, 2011
DAVID ALMEIDA
In CRÓNICAS PENAVOVENSES, edição online do Frontal

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novo livro de Joaquim Leitão Couto (2010)

Segundo o autor, este livro é "uma tentativa de escrever um hino de amor "às suas origens na Beira Alta", aos familiares e também a esse mundo que "estás prestes a não mais existir, pelo menos nos moldes ancestrais de há setenta anos".
Memórias da Quinta do Pinheirinho, das Férias em Vila Nova, da Gastronomia, do Cultivo dos Campos… Recordações de laços familiares, de vivências que perduram no tempo e para além dele.

Joaquim Leitão Couto, prestigiado médico ortopedista e autarca respeitado (foi Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Penacova), é autor e co-autor de diversas publicações e mentor de inúmeros projectos relacionados com o património cultural. A ele se deve a instalação do Museu do Moinho Vitorino Nemésio, do Museu dos Fornos de Cal e dos Carpinteiros do Casal de Santo Amaro, da Exposição da Casa da Freira sobre Moleiros, Cabouqueiros, Carpinteiros, Pescadores do Mondego e Tanoeiros. Publicou em 2007 Os Mosteiros e o Vinho e esteve ligado à criação do Museu da Tanoaria em Miranda do Corvo.


Texto de David Almeida
in NE