Domingo, 19 de Dezembro de 2010
Recordar Oliveira Cabral
PASSAM ANOS ... MAS NÃO PASSA
PORQUE NÃO PODE PASSAR
DO NATAL O ENCANTO, A GRAÇA
QUE A TODOS NOS FAZ SONHAR
Oliveira Cabral, não sendo de Penacova, a esta “ aprazível estância de repouso” – como escreveu um dia – vinha passar muitas vezes os seus tempos livres.
A este jornalista e famoso pedagogo, estão associadas as quadras “ Penacova-a-Linda ”, bem como a criação de “ Os Amigos de Penacova “, grupo que daria origem à “ Sociedade de Propaganda e Progresso de Penacova”, até há bem poucos anos activa.
Um parentesis : que é feito dela?
No jornal da época ( Notícias de Penacova) deixou muitos escritos, entre eles a poesia que aqui se reproduz , um recorte de 1960, com ilustração de Guida Ottolini, neta de Roque Gameiro.
Oliveira Cabral, um nome a trazer à memória dos penacovenses, na medida em que foi um arauto das belezas naturais de Penacova.
Voltaremos ao assunto.
Sábado, 6 de Novembro de 2010
No Centenário da República: António José de Almeida e a Reforma do Ensino Primário
Ainda a celebrar os Cem Anos da República (as Comemorações só terminam oficialmente em Agosto, um século depois da entrada em vigor da Constituição de 1911), achamos oportuno referir neste espaço dedicado ao passado, ao presente…e ao futuro de Penacova, uma das preocupações de António José de Almeida no campo da educação, figura multifacetada da I República e que, na nossa opinião, não é suficientemente conhecida dos portugueses e provavelmente da maioria dos penacovenses.
O nome de António José de Almeida está associado ao mais importante diploma sobre instrução primária durante a I República, assinado em 29 de Março de 1911, enquanto Ministro do Interior do Governo Provisório. Este Decreto com força de Lei, preconizava a reorganização dos serviços de instrução primária, laicizando o ensino, ligando as escolas às Câmaras Municipais, beneficiando os professores, dividindo o ensino em infantil e primário e, este, em elementar, complementar e superior. Esta reforma encerrava, assim, quatro aspectos fundamentais: descentralização administrativa do ensino; o ensino infantil, para menores de seis anos; o estabelecimento das escolas primárias superiores e a neutralidade escolar.
A sua aplicação no terreno foi, todavia lenta e de curta duração. O problema do insucesso das reformas da educação não é novo. E também, neste caso, isso aconteceu, o que não retira o mérito à proposta de António José de Almeida.
O que falhou? A descentralização administrativa, em teoria, não era, à partida, consensual. Acresce que as autoridades locais nem sempre conseguiam sobrepor-se a quezílias “ caseiras” e a propósitos por vezes duvidosos e obscuros. É assim que o Governo de Sidónio Pais, apesar de reconhecer o mérito da lei de 1911, acabará por concluir que as Câmaras Municipais não estavam preparadas para a gestão e administração do ensino, pondo ter a esse princípio descentralizador.
Quanto ao ensino infantil, que, diga-se a verdade, já fora preconizado durante os Governos de João Franco, só agora, começam a ganhar forma as escolas para menores de seis anos. Por todas as cidades se foram estabelecendo os Jardins - Escolas com o intuito de “aperfeiçoar os instrumentos de aquisição de conhecimentos e não tanto de os armazenar.”
Com a criação das escolas primárias superiores pretendia-se: alargar os conhecimentos gerais daqueles que por algum motivo não pretendiam frequentar os ensinos secundários e superior e tencionavam ingressar em carreiras profissionais de mais rápido acesso conforme as especificidades económicas das regiões. Já Alexandre Herculano havia preconizado estas escolas. Agora, elas vão surgir em grande número, mas por falta de definição clara dos seus objectivos e por recuo do seu grau de exigência, acabaram por sair desprestigiadas e perder a sua actualidade e pertinência.
Por último, a neutralidade escolar, pretendia que as escolas se abstivessem de toda e qualquer ideia ou educação religiosa. Ora, num país com uma cultura judaico-cristã de muitos séculos, fácil é adivinhar que esta medida não vingou por muito tempo.
Falhada ou não, esta Reforma de António José de Almeida ficará para sempre registada nos anais da história do Ensino Básico em Portugal, como uma reforma arrojada em todos os seus aspectos e bastante profícua, em especial no que se refere aos Jardins-Escola e às Escolas Primárias Superiores.
As Comemorações Centenárias, mais do que um ritual, deverão ser um pretexto para se reverem e estudarem acontecimentos duma época ou mesmo interpretar e reinterpretar atitudes, decisões políticas, que não foram entretanto devidamente apreciadas e reconhecidas.
António José de Almeida, filho desta terra, merece a divulgação de mais este aspecto da sua acção política enquanto Ministro do Interior no Governo Provisório que se seguiu ao 5 de Outubro de 1910.
David Almeida
Sábado, 20 de Novembro de 2010
Penacova - a eterna inspiradora de poetas
PAISAGEM DO MONDEGO
( No Mirante Emídio da Silva - Penacova )
A brisa enamorada sopra com fervor/Saltando mil beijos, doces, d' Amor/
Sobre as águas do Mondego cristalino...
Gorgeiam, cantam alegres os passarinhos,/ correndo velozes, procurando os ninhos,/
Soltando um doce, terno e mavioso hino!
Tudo é riso, encanto e formusura / E as penedias com tamanha alvura /
Formam um éden de mimo e de beleza...
E a vegetação assás luxuriante, / Dá-lhe o aspecto formoso e deslumbrante, /
D'um paraíso que nos legou a Natureza!...
Fonte do texto: Jornal de Penacova; Duarte Craveiro,
do livro em preparação " Flores da Primavera"
Sábado, 13 de Novembro de 2010
O Rancho do "Club Mocidade" e o Hino de Penacova
Em Junho de 1933, Penacova e Poiares, através das suas Filarmónicas e dos seus Presidentes de Câmara, José de Gouveia Leitão e Fernandes Coimbra, respectivamente, estreitaram laços de amizade entre estes dois concelhos.
Um dos pontos do programa incluiu a apresentação do Rancho do " Club Mocidade" da Cheira, que tinha como regente, Álvaro Alberto dos Santos.
Escreve o NP :
" As bandeiras das colectividades que se fizeram representar na nossa festa, com as bandeiras das filarmónicas e tendo ao meio a bandeira do nosso Município, alinham junto da mesa da presidência.
Pschiu!...Atenção!...música!...chegam acordes de uma orquestra!...harmonias de um côro que poisa ao longe!
É o Hino de Penacova, o hino da minha Terra que brinca contente em bocas felizes do rancho lindo do " Club Mocidade".
Um minuto de encanto, escolhido a tempo. Todos se levantam em sinal de respeito. E, lá ao longe, rapazes e raparigas dominados pela regência brilhante do músico-amador, Álvaro Alberto dos Santos, vão pondo entusiasmo e maior alegria na nossa festa(...).
O Rancho do " Club Mocidade" conseguiu mais um triunfo que a assistência premiou com demorada salva de palmas.
Aqui fica mais um apontamento para a história social, cultural e política de Penacova.
Sábado, 9 de Outubro de 2010
Penacova, Penacova, muda o nome, muda-o, sim?
Em resposta ao Bom Dia que Penacova nos deu hoje pela manhã, aqui fica um poema -
com alguns anos e talvez menos conhecido - enaltecendo as Belezas desta terra,
que segundo o autor, merecia um nome mais consentâneo:
Minha linda Penacova
Meu jardim de promissão
Cujas flores Deus renova
Com a sua própria mão!
O meu coração rendido
Bem sentiu, ao ver-te aqui
Que o paraíso perdido
O tinha encontrado em ti.
Mas, perdoa, Penacova
Mansão de sonho, ideal,
Se eu nesta grosseira trova
Do nome teu digo mal.
Quem, ó terra d’alegria,
De sol, de vida e de amor,
No teu nome – que heresia –
Pena e cova te foi pôr?
De berços e não de cova
Deve o teu nome falar;
A igreja o crisma aprova
Também te deves crismar.
Se há só prazeres apenas
Em tudo o que o céu de deu
D’ onde te vêm as penas,
Penacova, ao nome teu
Toda a gente velha e nova
Tem aqui tão lindo ar!...
Basta olhar e ver a prova…
Tudo aqui é de encantar…!
Ó terra cujas campinas
O Criador semeou
Das flores mais peregrinas
Quem foi que assim te chamou?
Um nome com pena e cova
Neste formoso jardim…
Penacova, Penacova,
Muda o nome, muda-o, sim?
Versos do Dr. Alfredo da Cunha( grafia actualizada),
declamados pela Srª D. Maria Adelaide Coelho da Cunha,
no Sarau de 30 de Maio de 1908, no palacete do Sr. Joaquim Augusto de Carvalho.
( Joaquim Augusto de Carvalho foi um dos subscritores da Aclamação da República em Penacova e o seu nome também está ligado à oferta da imagem de N. Srª da Guia)
Sábado, 4 de Dezembro de 2010
Aguieira: se fosse hoje não seria construída...
A Barragem da Aguieira, se fosse hoje, não seria construída. A opinião é de Antunes do Carmo, Professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, em declarações proferidas numa conferência, no âmbito da Pós-Graduação em Dinâmicas Sociais e Riscos Naturais, realizada há meia dúzia de anos.
Dado que se trata de uma obra de grande dimensão e se situa a apenas 35 quilómetros de uma grande cidade como Coimbra, nunca teria sido construída, à luz dos parâmetros actuais dos estudos de impacte ambiental.
Num cenário de ruptura, as águas atingiriam Coimbra num espaço de 45 a 60 minutos, formando uma onda de perto de 12 metros, recheada de blocos de grandes dimensões.
No entanto, nos próximos 30 anos apenas na presença de um forte sismo tal cenário é possível. É que, normalmente, até aos 60 anos de vida as barragens resistem. Passado esse prazo, os riscos começam a aumentar de facto.
Hoje a segurança está garantida, graças à monitorização permanente. Mas, sem alarmismos, é legítimo perguntar: e então daqui a 30 anos como vai ser?
Um pouco de história:
A construção da barragem da Aguieira, 1.º escalão do aproveitamento do Mondego e situada a jusante da confluência do rio Dão, viria a ser incluída nas realizações do III Plano de Fomento, por decisão tomada pelo Conselho de ministros para os Assuntos Económicos, em 12 de Maio de 1970.
A beneficiação da bacia do grande rio tornar-se-ia realidade já no governo de Marcelo Caetano e pelo grande interesse do ministro Rui Sanches.
O projecto foi revisto e actualizado em 1971, e em meados do ano seguinte foram iniciados os trabalhos na barragem da Aguieira, prevendo-se que o custo total atingisse os dois milhões de contos, a repartir entre o Estado e a Companhia Portuguesa de Electricidade.
Em 1975 a nacionalização do sector eléctrico e a constituição, no ano seguinte, da Electricidade de Portugal - EDP, fez com que os trabalhos para o aproveitamento passassem a ser assegurados por esta empresa.
As obras de construção civil e de instalação e montagem de equipamento na barragem da Aguieira, que permitiam o início da produção de energia, estavam prontas em 1981, o que permitiu asua entrada ao serviço em 1 de Outubro.
As obras na barragem da Raiva ficaram prontas em Dezembro de 1982, altura em que este aproveitamento iniciou a sua exploração em conjugação com a da Aguieira.
Finalmente, em 31 de Outubro de 1985, na sequência da conclusão dos trabalhos relacionados com a barragem das Fronhas, procedeu-se ao fecho das comportas das descargas e ao início de enchimento da albufeira, ligada, como foi atrás referido, à barragem da Aguieira por um túnel, para onde canaliza as águas do rio Alva.
In A Companhia Eléctrica das Beiras e o aproveitamento hidroeléctrico do rio Mondego, por João Figueira, no XXII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social Aveiro, 15 e 16 de Novembro de 2002
Sábado, 23 de Outubro de 2010
Hubris: a síndrome da Guerra do Iraque… ou quando o poder sobe à cabeça... noutros Iraques
A guerra do Iraque está de novo na ordem do dia, com a divulgação, pelo site WikiLeaks, de novos dados sobre a mesma.Tony Blair foi um grande defensor da invasão daquele país. A incapacidade para ouvir os que se lhe opunham merece-lhe um lugar entre os afectados pela Hubris.Também Bush,apesar dos resultados da intervenção militar,nunca deu o braço a torcer.
Mas não precisamos de ir muito longe, nem no espaço nem no tempo, para verificarmos que essa“ Síndrome de Hubris", por outras palavras, essa arrogância muitas vezes demonstrada pelos detentores do poder, constitui uma constante nos nossos dias e ao longo da história.
David Owen escreveu, em Abril de 2008, um livro intitulado “ In Sickness and in Power: Illness in Heads of Government During the Last 100 Years". Aí, aparece a expressão grega hubris para explicar, o que terá levado Tony Blair a unir esforços com George W. Bush no Iraque, contrariando quem desaconselhava o recurso à luta armada.
O que não saberíamos – e que Owen defende neste livro - é que, no fundo, os governantes são desculpáveis : a pressão e a responsabilidade que o poder implica acaba por afectar a mente e a capacidade de decidir . David Owen, neurologista britânico, chegou a esta conclusão depois de estudar, por mais de seis anos, o cérebro de alguns políticos.
Em Maio do mesmo ano, publicámos um artigo na imprensa, ao qual demos o título “ Quando o poder lhes sobe à cabeça”. Escrevíamos, mais ou menos assim:
“ Foi recentemente publicado em Inglaterra um livro intitulado, em tradução literal, “Na doença e no poder: a doença nos chefes de estado ao longo dos últimos cem anos”, escrito por David Owen, neurologista e político, fundador do actual Partido Liberal Democrata e ex-membro de Governos de Sua Majestade. Owen terá estudado durante seis anos o “cérebro” de muitos dos políticos do século XX, tendo concluído que existe uma doença que afecta alguns detentores de cargos políticos: a síndrome de Hubris. O termo hubris significa, em grego, excesso de confiança e orgulho desmedido. Uma incursão pela mitologia grega conduzir-nos-ia ao herói Hubris, que uma vez alcançada à glória se deixou embriagar pelo êxito e com isso passou a acumular erros até ao dia em que encontrou Némesis que o fez cair em si e ver a realidade.
David Owen acha que este “autismo” não é capricho pessoal, mas sim um estado de doença. É que, as pressões e a responsabilidade que o exercício do poder implica, afectam a mente e o comportamento dos políticos. Nesta perspectiva, o poder intoxicaria de tal modo alguns detentores de cargos políticos que o sistema neuropsíquico dos mesmos acabaria por ser afectado gravemente. Mesmo sabendo que esta doença não se encontra reconhecida pela Medicina, Owen aponta um conjunto de sintomas (síndrome) facilmente diagnosticáveis: exagerada confiança dos líderes em si mesmos, desrespeito e desprezo pelos conselhos daqueles que os rodeiam e progressivo afastamento da realidade. Além disso, quando as decisões se revelam erradas, não reconhecem os erros e continuam convencidos de que tomaram a decisão correcta.
A comprovar tudo isto, o autor enumera políticos como Hitler que, na sua opinião, é dos melhores exemplos de um governante completamente dominado pela Síndrome de Hubris. Outros nomes: Roosevelt, Mussolini, Margaret Thatcher, Mao Tsé-Tung, Tony Blair, Bush, Fidel, Mugabe, Saddam, Khadafy , Idi Amin…
Seguindo esta linha de pensamento, no caso português ( que Owen não refere ) quem incluiria, aqui caro leitor ? Salazar? Jardim? Sócrates? … deixamos a resposta em aberto.
Neste livro, em que Owen retoma um ensaio publicado no ‘Journal of the Royal Society of Medicine’ acerca do conceito de Hubris, chama-se ainda a atenção para as consequências do declínio mental e físico de muitos governantes dos nossos tempos.
Suficientemente credível ou não, entendemos que esta obra não deixa de ser um bom pretexto para uma reflexão séria sobre a política e os políticos que nos governam, a nível mundial, a nível nacional e a nível autárquico. Reflexão que nos ajudará a estar mais atentos e mais sensíveis perante este fenómeno ancestral de abuso do poder por parte dos seus detentores.
E existe cura para a síndrome de Hubris? - é legítimo perguntar. Por enquanto – reconhece Owen - ainda não . Uma “vigilância constante ", diríamos, apertada, sobre os dirigentes políticos, será um dos antídotos disponíveis…
David Almeida
Domingo, 10 de Outubro de 2010
A21L em Penacova: uma oportunidade perdida?
Perante a possibilidade duma grave crise política, económica e social a curto prazo, onde cada vez mais o global e o local se interpenetram nesta aldeia global, nesta megalópole integrada que é o nosso mundo, será que ainda há alguém preocupado com o facto de Penacova ter uma Agenda21 Local?
De qualquer modo, não queremos deixar de trazer, aqui e agora, o assunto. Quanto mais não fosse, porque nos próximos dias 20, 21 e 22 se vai realizar no Porto a GLOCAL 2010. Conferência que, para além de outros tópicos, vai fazer um balanço das actividades realizadas no âmbito da Agenda 21 Local (A21L). Acresce também que este assunto não é totalmente alheio ao concelho de Penacova.
Em Julho de 2006, veio a público um trabalho elaborado por Carlos Mendes e Paulo Costa, intitulado “ Penacova 21 – Plano Estratégico do Concelho de Penacova” , apresentando-se como “ ferramenta importante no seguimento do processo da Agenda 21 Local e na definição de um plano de acção.” Em 30 de Maio de 2009 , sob o lema "Elevar Penacova" , um grupo de cidadãos, no âmbito da sua ligação ao concelho de Penacova, organizou um almoço/debate subordinado ao tema “Elevar Penacova”. Os autores do referido trabalho apresentaram os objectivos da A21L e das Linhas Estratégicas de Desenvolvimento. Num segundo momento, todos os participantes contribuíram com “ ideias, preocupações, sugestões e partilha de experiências profissionais, tendentes a potenciar o futuro do concelho.” Em nota de imprensa foi referido que o encontro surgiu “ do facto, para além de sugerido por algumas pessoas, de na comunidade penacovense, praticamente não existirem debates sobre o concelho”. E “sem momentos de reflexão … sem debates … sem discussão de ideias …” – acrescentava o comunicado - “ dificilmente poderemos potenciar um desenvolvimento sustentável no concelho.”
Também, na reunião da Assembleia Municipal de Penacova, de 29 de Fevereiro de 2008 , o deputado municipal Paulo Coelho apresentou as suas preocupações , salientando que “no tempo em que a sociedade civil exige aos governantes melhores e mais rápidas resoluções dos seus problemas, contrapondo com o seu afastamento da discussão e acção politica, existindo assim um défice acentuado de participação, é necessário redemocratizar a sociedade , envolver a população nas decisões que nos influenciam no dia-a-dia e responsabilizar e aumentar os níveis de confiança”. Depois de apresentar os princípios da Agenda 21 Local e da Carta de Aalborg (Carta das Cidades e Vilas Europeias para a Sustentabilidade) lembrou que “o novo quadro do programa operacional da região centro, que integra o QREN na sua acção de valorização e qualificação ambiental, define como uma das tipologias prioritárias, em termos de apoio financeiro, a preparação e implementação das Agendas 21 Locais” devendo, assim, Penacova aproveitar os recursos financeiros que estariam disponíveis.
Mais recentemente, na reunião da Assembleia Municipal de 20 de Fevereiro último, também o deputado municipal David Almeida, referindo-se à questão da educação ambiental e à crise de participação cívica dos cidadãos na protecção e valorização do ambiente, da coesão social e desenvolvimento económico sustentado, questionou o Executivo Camarário sobre a implementação da Agenda 21 Local.
Ora, nem o executivo anterior, com maiores responsabilidades no assunto, nem o actual, terão pegado no tema. Muitos municípios portugueses apresentaram candidaturas ao QREN 2007-2013 na procura de fontes de financiamento externas para darem corpo a este compromisso que, antes de mais é de Portugal, a partir do momento em que, juntamente com 177 países , subscreveu este documento, saído da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que se realizou no Rio de Janeiro em 1992.
A partir de agora, mais difícil se tornará obter financiamentos à medida que nos aproximamos do fim do Quadro Estratégico de Referência Nacional, que, como sabemos, comparticipou com muitos milhões, estas e outras iniciativas.
Mesmo acreditando que os objectivos da A21L são pertinentes (e urgentes) e que, nesse sentido, não vão ficar “ na gaveta” por falta de dinheiro, fica o sentimento - com o 2010 quase a terminar - que Penacova já perdeu, mais uma vez, o comboio, o mesmo é dizer, uma oportunidade de promover o desenvolvimento sustentável baseado numa cidadania e democracia mais participativas.
Domingo, 24 de Outubro de 2010
Recortes de domingo à tarde: água mole em pedra dura…
Vem este velho ditado a propósito do longo tempo que Penacova esperou para assistir ao inegável sucesso da exploração das Águas das Caldas de Penacova.
Há cem anos ( e certamente muito anos antes, outros o terão idealizado) já o Jornal de Penacova falava desta potencialidade , acreditando que um dia se tornaria realidade .O assunto foi sendo tema, ao longo do século XX, em diversos areópagos, muito especialmente na imprensa penacovense. Cinquenta anos depois ( 1952) a questão é colocada por E. Caixeiro, da Carvoeira, no Notícias de Penacova.
Em Penacova não têm, ao longo dos tempos, faltado ideias. Muitas delas com grande credibilidade. Só que a sua concretização leva demasiado tempo – e às vezes, somos levados a perguntar pelo porquê . Acode-nos então à memória o provérbio de todos conhecido, mas isso não nos pode acomodar . Se, por um lado, nos recorda a necessidade de não desistir, de insistir, insistir, por outro, gera um certo sentimento de impotência quando nos apercebemos que a velocidade dos tempos de hoje não perdoa uma década de atraso, muito menos um século… Já a ponte de Penacova, a ponte Luciano de Castro, demorou vinte anos, não a ser pensada e reivindicada, mas a ser construída. Os pilares terão estado anos e anos à espera de tabuleiro. O registo desse facto lá está, gravado na placa à entrada da ponte. Muitos outros exemplos podiam ser apontados…
Mas como também diz o povo , vale mais tarde que nunca. Felizmente que, ainda no século XX, Penacova viu nascer esta empresa de inegável interesse para o concelho. Recorde-se no feriado municipal de 2009 a Câmara de Penacova a agraciou ( coincidindo com o seu 10º aniversário) com a medalha de Mérito Colectivo. Empregando mais de meia centena de pessoas, conquistou um lugar de grande relevo, quer no mercado nacional quer no plano internacional, sendo hoje uma “imagem de marca” que leva bem longe o nome de Penacova.
Transcrevemos parte dos recortes de jornal que aqui trazemos hoje:
Jornal de Penacova de 29 de Agosto de 1908:
( …) lembramos a necessidade que há em mandar examinar a água que nasce na Mata das Caldas, propriedade do sr. Alípio Cardoso. As curas que muitas pessoas têm obtido, quer bebendo-a, quer banhando-se com ela, têm sido muitas. No entanto até agora nada se fez, não obstante todos reconhecerem a necessidade de se mandar proceder a uma análise química e bacteriológica da mesma.
QUEREMOS CRER QUE AQUELA ÁGUA VIRÁ A SER UMA FONTE DE RIQUEZA PARA A NOSSA TERRA E CONSEQUENTEMENTE UMA FORTE AVALANCHE PARA O SEU PROGRESSO E ENGRANDECIMENTO (…)
Notícias de Penacova:
(…) Mesmo ao fundo dos penedos da margem direita existe uma forte nascente. É pena essas águas não serem exploradas para umas termas. Porque é que o proprietário da referida nascente não leva essas águas a uma análise? Poderia ser aprovada para a cura de doenças como tantas. Penacova engrandecer-se-ia certamente com isso.
( oriexiaC E. - 17 de Agosto de 1952)