domingo, 2 de setembro de 2012

Longe da terra distante, longe do seu Portugal...(a propósito do novo livro de Alfredo Fonseca)


Longe da terra distante…

A emigração é um fenómeno antigo no nosso país. Começou a intensificar-se nos finais do século XIX, agudizou-se no terceiro quartel do século XX e, hoje, aí está de novo a constituir-se como problema, na medida em que são as razões económicas que a determinam. A míngua dos meios de subsistência e as condições precárias de vida das pessoas provocou e provoca ainda o "êxodo" de muitos portugueses. Se pensarmos que são perto de cinco milhões que actualmente residem em países estrangeiros teremos uma ideia mais exacta da dimensão da "Diáspora Portuguesa".

"Os Sãopedralvenses da Diáspora", novo livro de Alfredo Fonseca, trata deste fenómeno que também nesta região tem sido uma constante há dezenas de anos. Não se trata de uma obra de sociologia das migrações mas sim de um conjunto de retratos de muitas Vidas que um dia deixaram a freguesia de S. Pedro de Alva procurando em África, no Brasil, em França, em Lisboa, e noutras partes do mundo e do país, melhores condições de vida e de trabalho para si e para os seus. São histórias de vida recontadas com respeito, admiração e amizade. Este grande comunicador, depois de - nas obras anteriores - ter partilhado com os seus leitores muito das suas vivências pessoais, oferece-nos agora este magnífico trabalho de pesquisa biográfica, apresentando com maior ou menor desenvolvimento, conforme os percursos de cada um, os trajectos pessoais e profissionais de cerca de quatro centenas de sãopedralvenses. Tarefa que só foi possível graças à afabilidade que manifesta no contacto pessoal, à confiança que transmite, aos valores que defende, ao imenso círculo de amigos que tem e, claro à determinação em levar por diante este projecto, à semelhança de tantos outros que ao longo da sua vida concretizou.

"Um livro é como um filho… só pelo facto de vir ao mundo me parece importante"  - escreveu certo dia o jornalista Homero Serpa. "Os Sãopedralvenses da Diáspora" está aí. Agora, merece o carinho de todos nós e os Parabéns ao seu Autor.

David Almeida
publicado na COMARCA DE ARGANIL, agosto 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ESTRADA VERDE... N110...REAL 48

Mudou-se-lhe o nome mas não mudou, passados os anos, o "cenário deslumbrante e cheio de contrastes" que "nem mesmo uma fita cinematográfica seria capaz de reproduzir". Assim o entendia, em 1909, Emídio da Silva, quando na revista Serões publicou dois trabalhos sobre Penacova e Lorvão.
A Estrada Verde (N110, antiga Estrada Real nº 48),
depois das obras de requalificação.

 Transcrevemos um excerto de um artigo (publicado com fotografias da época) assinado por L. Mano, que como sabemos era um pseudónimo de Emídio da Silva, colaborador do Diário de Notícias, usado também por vezes na imprensa local onde colaborou. No próximo número faremos referência a outro texto, publicado também na referida revista, onde são descritos os recantos da vila e dos arredores, com uma ida ao Penedo do Castro. Fiquemo-nos, pois, com as palavras de Emídio da Silva:

" Já se pode ir a Penacova por Coimbra e a estrada que lá nos conduz levará ali todos os estrangeiros que visitem Portugal, quando esta região estiver nas condições de os hospedar. Esta estrada só por si vale a viagem, quando o panorama que se goza em Penacova, do Penedo do Castro ou do Mirante Emygdio da Silva não sejam dos mais deslumbrantes que é dado contemplar aos que percorrem o mundo na demanda do pitoresco e do belo surpreendente.

A estrada de Coimbra a Penacova segue a margem direita do Mondego, cingindo-se tanto quanto possível às ondulações da encosta e à linha caprichosa do talweg desse rio que percorre uma das regiões mais pitorescas e variadas, ora espraiando-se por campos feracíssimos através de hortas e laranjais, ora apertado entre aprumados alcantis onde a vegetação nem sempre consegue ocultar os massiços de rocha que se destacam magestosos daquela paisagem luxuriante.

Essa estrada, que nem mesmo uma fita cinematográfica seria capaz de reproduzir, é com efeito um dos mais belos trechos do Portugal pitoresco e não conhecemos muitas que sob este aspecto se lhe avantagem na Europa dos touristes.

É no meio deste cenário deslumbrante e cheio de contrastes flagrantes, que surge a vila de Penacova, debruçada sobre o Mondego, que domina de grande altura, abrangendo por isso um vasto panorama em que os olhos se perdem extasiados num horizonte longínquo que serve de esfumada moldura a uma imensa paisagem, ora retalhada de pinhais ou sobrepujada de penedias que dão ao quadro uma tonalidade grave e austera, ora entrecortada de pomares, de vinhas e de milheirais, numa harmonia quasi geométrica que é felizmente quebrada aqui e acolá, perto ou longe, inúmeras vezes, pelo casario branco das vilas, das aldeias e dos lugarejos que põe manchas alegres e dá vida e animação a esta grandiosa tela do maior e mais divino dos mestres – a Natureza! "

Em boa hora se realizaram as importantes obras da agora designada Estrada Verde, criando melhores condições para aceder ao convite para a percorrer e admirar a paisagem deslumbrante que todos nós conhecemos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Jornal Nova Esperança suspendeu publicação

Jornal Nova Esperança morre aos 32 anos
O jornal Nova Esperança suspendeu a sua publicação, cento e dez anos depois de vir a lume o primeiro jornal concelhio. Em 1901 surgira o Jornal de Penacova e a partir daí, salvo pequenas interrupções, a imprensa local, que totalizou nove projectos editoriais até ao presente, foi acompanhando o pulsar da vida destas terras.
A crise da imprensa regional tem vindo a agudizar-se nos últimos anos: o aparecimento da internet e das edições online e das redes sociais, a redução dos apoios estatais aos custos da expedição postal bem como as quebras na publicidade, são alguns dos factores apontados. No caso do Nova Esperança as razões aludidas no seu último editorial baseiam-se "essencialmente nas alterações exigidas para manter este tipo de publicações". Diz-se ainda que prolongar a publicação passaria por "disponibilizar mais tempo da carolice dos seus mais directos colaboradores para cumprir com as regras organizacionais". Voluntariado, carolice, dedicação, que nestes trinta e dois anos marcaram a vida do jornal. Apesar da sua matriz cristã, não se fechou na sacristia e sempre esteve atento à promoção das pessoas e das comunidades, mantendo-se  aberto a todos os penacovenses, quer a nível social, quer político, numa palavra, desempenhando um serviço público que ninguém pode negar. Exerceu também, à semelhança de toda a imprensa regional não diária, um importante papel junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

O jornal impresso continua a ter no nosso meio um papel insubstituível. Se existe uma geração que privilegia o digital não nos podemos esquecer que muitos dos leitores da imprensa regional não dominam nem dispõem de novas tecnologias. Para estes, o jornal, seja semanal, seja mensal, é sempre esperado com alguma ansiedade como se de um amigo/mensageiro se tratasse. Esta ligação afectiva é ainda mais forte quando se está longe, seja noutros locais do país, seja nas "sete partidas" do mundo.
E agora? Será que vai aparecer um novo jornal em edição impressa? A informação geral sobre o concelho vai estando assegurada, quer a nível de blogues como o Penacova Atual e o Penacova Online, quer a nível institucional (sites da Câmara, das Juntas de Freguesia, dos Bombeiros e de outras Instituições).

Mas pode um concelho viver sem imprensa escrita? Poder pode, mas não é a mesma coisa, permitam-nos usar aqui o tão repetido slogan. Queremos com isto acentuar apenas que os jornais locais continuam a ter um papel importante e muitas vezes insubstituível no reforço da identidade local e da coesão social, na ligação às raizes e à(s) memória(s)  das nossas terras.
Vamos aguardar.

 David Almeida
in COMARCA DE ARGANIL de 19 de Janeiro de 2012

Entrevista ao Nova Esperança: Penacova e a República na Imprensa Local

Conforme noticiámos no número anterior, acaba de ser publicada mais uma obra sobre Penacova, desta vez sobre a história local no primeiro quartel do séc. XX. Da autoria de David Almeida e editado pela Câmara Municipal, foi apresentado no dia 5 de Outubro o livro Penacova e a República na Imprensa Local. Hoje o NE publica uma entrevista, procurando saber mais alguns pormenores sobre este trabalho historiográfico.

NE: Como surgiu a ideia de escrever e publicar esta obra?
DA: O gosto pela história conduziu-me há alguns anos atrás a consultar alguns jornais que se publicaram no concelho de Penacova no início do século passado. No contacto com essas fontes saiu reforçado o interesse pela história local, dado que nesses periódicos se encontram muitos episódios que retratam a vida social e política da época que coincidiu com os tempos conturbados da implantação da República. Em conversa ocasional com o Prof. Doutor Luís Reis Torgal falámos das comemorações do Centenário da República no nosso concelho e logo aí aquele historiador me convidou a participar num colóquio programado pela Câmara e que estava a estruturar na qualidade de membro do CEIS20, que é um Centro de Estudos da Universidade de Coimbra. O Colóquio teve lugar em Fevereiro passado, tendo a minha intervenção focado o republicanismo em Penacova. Daí surgiu então o incentivo, quer do Prof. Reis Torgal quer da Câmara, para que o tema ficasse registado em livro.
NE: O livro foi apresentado ao público no dia 5 de Outubro. Teve boa receptividade? Onde se pode adquirir?
DA: Creio que sim. A sessão de lançamento, integrada nas comemorações concelhias do 5 de Outubro, teve lugar na Sala Dr. Leitão Couto, na Biblioteca/Centro Cultural de Penacova e foi presidida pelo Senhor Presidente da Câmara. A apresentação da obra coube ao Prof. Reis Torgal que também escreveu o prefácio. A sala foi pequena para a assistência e até ao momento tenho recebido muitas mensagens de apreço por este trabalho. Dado que se tratou de uma edição da Câmara Municipal, com o apoio científico do CEIS20, encontra-se à venda quer no Posto de Turismo quer na Biblioteca, em Penacova. Não tenho qualquer interesse financeiro no assunto. O facto de poder partilhar, com o apoio da Câmara, este conjunto de elementos que considero importantes para a nossa identidade enquanto penacovenses já é muito gratificante.
NE: O Jornal de Penacova de 8 de Outubro de 1910 noticia o modo como foi aclamada a República em Penacova. O livro centra-se nesse acontecimento ou traz algo de menos conhecido dos penacovenses?
DE: Esse é um ponto importante, sim. Além do relato da imprensa local, o livro reproduz também o Auto de Aclamação, onde podemos ver as assinaturas de cerca de sessenta pessoas que no dia 7 (uma vez que no dia 6 a Câmara estava fechada e não havia livro de Actas) subscreveram aquele acontecimento vivido com entusiasmo em Penacova. De facto muitas pessoas de Penacova já conheciam tudo isso, mas considero que o livro apresenta elementos que eram menos conhecidos, como por exemplo, todo o movimento republicano anterior a 1910 que teve um episódio marcante em 1890, quando o pai de António José de Almeida se torna republicano e apresenta o pedido de demissão do cargo de Presidente da Câmara que então exercia. Outro acontecimento muito pouco conhecido é o grande comício que, em 1909, juntou 3000 pessoas em S. Pedro de Alva.
NE: E depois do 5 de Outubro? Há algum aspecto que gostaria de salientar?
DA: Há um aspecto que o livro contempla que é traçar alguns aspectos biográficos dos republicanos que mais se destacaram, quer antes, quer nos tempos que se seguiram, quer promovendo palestras e criando comissões republicanas locais, quer assumindo as rédeas dos poder a nível concelhio. Também o papel da imprensa local (alguns jornais desconhecidos de muitas pessoas, como o Ecos de S. Pedro de Alva e O Progresso Lorvanense, é desenvolvido no livro e é traçada uma síntese da imprensa local em Penacova, no período de 1901 a 1937, estudo que não estava feito. Resumo que pode ser o embrião para uma história da imprensa local no século passado.
NE: Sendo António José de Almeida natural de Penacova, que lugar ocupa no livro?
Há um capítulo dedicado a esse aspecto, dado que considero que este Político e Estadista Penacovense foi, de facto, uma figura tutelar do republicanismo no nosso concelho e desempenhou, juntamente com o Jornal de Penacova, dirigido por Amândio dos Santos Cabral, um papel catalizador dos acontecimentos que antecederam 1910 e que se seguiram. O Partido Evolucionista, por si fundado, teve em Penacova muitos seguidores, mas desde muito cedo, a começar pelos tempos de estudante e activista republicano em Coimbra, a sua influência doutrinária se fez sentir em diversos momentos.
NE: Gostaríamos de saber como se estrutura o livro
DA: Penacova e a República na Imprensa Local tem cerca de 200 páginas. Apresenta algumas ilustrações, quer de paisagens de Penacova em 1909, quer de algumas figuras republicanas, dos cabeçalhos e páginas dos jornais da época e como já se referiu, do Auto de Aclamação. Em termos de capítulos destacaríamos: últimos anos da Monarquia: dinâmicas sociais e políticas; militância republicana e proclamação da República; transição e consolidação político-administrativa; afirmação republicana depois do 5 de Outubro; reflexos da questão religiosa; comemorações do 5 de Outubro; António José de Almeida – figura tutelar das movimentações republicanas em Penacova; algumas personalidades republicanas (membros da comissão republicana em 5 de Outubro, personalidades que ocuparam cargos de projecção nacional, alguns nomes ligados ao núcleo republicano do alto concelho e outros republicanos penacovenses). Ainda, um capítulo sobre a Imprensa Local, em especial o Jornal de Penacova, A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense, Ecos de S. Pedro d'Alva e A Voz de S. Pedro de Alva.
NE: A terminar, que mensagem gostaria de deixar?
DA: Considero que este trabalho, sendo um modesto contributo para a nossa história local, pode ser um ponto de partida e um desafio para que outras pessoas aprofundem estes temas. Também gostaria de recordar aqui algumas palavras do Prof. Doutor Reis Torgal quando no prefácio escreve: "… Fica assim esta obra a assinalar o Centenário da República. Só falta coroá-lo com a compra pelo Município, e utilização conveniente, da casa onde nasceu António José de Almeida, em Vale da Vinha. (…) Deve criar-se em Penacova uma casa que tenha como patrono o único Presidente da Primeira República a cumprir o mandato completo (…) Assinalará não propriamente um regime (…) mas os seus ideais mais significativos, a respublica, o amor à “coisa pública”, na qual todos nos devíamos rever, esquecendo interesses pessoais, de classe ou de grupo, ou, pelo menos, não os sobrepondo aos interesses nacionais."
 publicado no Nova Esperança, edição relativa a NOV 2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Imprensa Local III - A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense e o Notícias de Penacova

Referimos no penúltimo número (do Frontal) o percurso do Jornal de Penacova (1901-1937) e, na última edição, escrevemos sobre os jornais republicanos de S. Pedro de Alva, nomeadamente o Ecos de S. Pedro d´Alva (1915-1918) e A Voz de S. Pedro de Alva (1928-1932). De modo a concluirmos este conjunto de apontamentos sobre os periódicos penacovenses no período que vai de 1901 a 1978 (aparecimento do Jornal de Penacova e fim do Notícias de Penacova, respectivamente), há que recordar A Folha de Penacova, O Progresso Lorvanense e o Notícias de Penacova.
No dia 19 de Janeiro de 1902 vem a lume A Folha de Penacova, afirmando-se como ´´Semanário dos Interesses do Povo da Comarca´´. Apresenta como editor César de Morais Queiroz e como proprietário José Maria de Oliveira. A redacção e a administração estavam sedeadas na Rua do Arcediago Alves Mendes e era impresso na Rua Martins de Carvalho, em Coimbra. Tal como refere o primeiro editorial sob o título ´´Na Brecha´´, Penacova que ainda há uns meses estava bem longe de ter imprensa sua, passa agora a ter dois periódicos."
A Folha de Penacova surge em nítido confronto com o Jornal de Penacova, que "alcunhava" de Canudo. Afirma-se no referido editorial: ´´Militamos na política que foi a de nossos pais, naquela mesmíssima política que já foi a de todo este concelho, e à qual se deve tudo que por aí há de melhor. […] Se certos farroncas tiveram o desplante de a renegar, não podemos nós outros abjurá-la.´´ O jornal afirma-se, assim, como afecto ao Partido Regenerador, "honrando a memória de Fernando de Melo" e "rendendo-se à chefia do Conselheiro Hintze Ribeiro."
Durante a sua breve duração (terminará com o 12.º número a 10 de Abril de 1902) iremos assistir a um violento e cerrado ataque a Júlio Ernesto de Lima Duque, militar-médico, genro do Conselheiro Alípio Leitão e membro influente do Partido Progressista. A Folha de Penacova vem a terreiro defender o Administrador do Concelho, Alfredo de Pratt, que estava a ser atacado por Lima Duque no sentido de ser afastado do cargo. O tom polémico, irónico, por vezes ofensivo, foi uma constante das edições daquele semanário durante toda a sua existência – o primeiro trimestre de 1901.
A 23 de Janeiro de 1921 aparece O Progresso Lorvanense, semanário ´´Independente, Defensor dos Interesses da Região´´. Joaquim Jerónimo Rosa da Silva é o editor e director, enquanto Manuel Ferreira Pedrosa assume a administração. O jornal é propriedade do ´´Lorvanense Club´´. No editorial afirma a sua isenção política dizendo que ´´não tem política partidária´´ mas sim uma ´´política de fomento´´. De 23 de Outubro de 1921 a 2 de Abril de 1922 suspende a publicação. Em 11 de Junho de 1922 regressa com o n.º 41, sendo agora propriedade da Empresa Industrial de Lorvão.
O período em que é publicado corresponde a uma fase conturbada da vida local: a exoneração do Padre Carlos Fernandes Seabra, mal aceite pela maioria da população, facto a que o jornal dá acolhimento em defesa do presbítero. O caso foi mesmo apelidado de Cisma de Lorvão, dado que só "as povoações da Serra haviam ficado fiéis à Igreja." Ao longo do curto período de existência dominam os conflitos quer com padres do concelho, quer com o Bispo de Coimbra.
Terminará a publicação com o n.º 68, em 15 de Outubro de 1922. Lorvão só voltará a ter alguma voz na imprensa local quando, em Dezembro de 1952, José Manuel Rodrigues (Pároco) e Edmar Guimarães de Oliveira, lançarão a Página da Freguesia de Lorvão, de periodicidade quinzenal, integrada no Notícias de Penacova.
À vida curta destes jornais virá contrapor-se o Notícias de Penacova que teve uma existência bem mais longa: quase 50 anos. Nasce a 26 de Março de 1932 assumindo-se como ´´Semanário Regionalista´´. Enquanto director e proprietário surge o nome de José de Gouveia Leitão (filho do Conselheiro Artur Leitão) e terá como editor João Barreto (que estivera ligado ao Jornal de Penacova). O redactor principal é Joaquim Jerónimo da Silva Rosa, natural de Lorvão e escrivão do Julgado Municipal de Penacova de 1931 a 1937. O administrador era o professor e delegado da Junta Escolar, José Joaquim Nunes. Apresenta-se como ´´integrado na corrente que de norte a sul se desenha´´. Passado um ano de publicação, o jornal assume-se como afecto do "nacionalismo triunfante". Até 1937 coexistirá com o Jornal de Penacova num clima de alguma tensão. Exemplo disso, foi a polémica que estalou em 1935 intitulada "O Jornal de Penacova e os Glorificados", atacando Alípio Leitão, Horácio Cunha e Assis e Santos e acusando aquele periódico de ser o "órgão do reviralhismo penacovense".
Nas últimas décadas de existência será marcado pelas figuras do Prof. e Delegado Escolar Joaquim de Oliveira Marques, do P.e Manuel Marques  e do Arcipreste, e mais tarde Cónego, Manuel Vieira dos Santos (que era o seu proprietário). Com a morte deste em 1966, a sua gestão passa para a Igreja de Penacova. Após o 25 de Abril de 1974 Joaquim de Oliveira Marques é "saneado" e passarão a ser os sucessivos párocos de Penacova os seus directores.
Nos 46 anos de existência publicaram-se 2175 números. Por motivos financeiros, terminará em 8 de Dezembro de 1978.
Refira-se que no ano de 1979, Penacova não terá nenhum jornal, mas em Janeiro de 1980 surgirá o Nova Esperança, sob a égide do Prof. Egídio Fialho Santos e do P.e António Veiga e Costa. Em 1997 ressurgirá o título Jornal de Penacova, pela mão de Álvaro Coimbra, publicando-se durante cerca de dez anos.
Fica assim traçado o percurso da imprensa local penacovense. Nas suas páginas, muitas delas amarelecidas pelo tempo, podemos encontrar valiosos elementos para o conhecimento da história local e para a compreensão do que Penacova foi no século passado e pretende ser neste século XXI.
Fontes: David Almeida, Penacova e a República na Imprensa Local, edição da CM de Pencova, 2011
DAVID ALMEIDA
In CRÓNICAS PENAVOVENSES, edição online do Frontal

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Novo livro de Joaquim Leitão Couto (2010)

Segundo o autor, este livro é "uma tentativa de escrever um hino de amor "às suas origens na Beira Alta", aos familiares e também a esse mundo que "estás prestes a não mais existir, pelo menos nos moldes ancestrais de há setenta anos".
Memórias da Quinta do Pinheirinho, das Férias em Vila Nova, da Gastronomia, do Cultivo dos Campos… Recordações de laços familiares, de vivências que perduram no tempo e para além dele.

Joaquim Leitão Couto, prestigiado médico ortopedista e autarca respeitado (foi Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Penacova), é autor e co-autor de diversas publicações e mentor de inúmeros projectos relacionados com o património cultural. A ele se deve a instalação do Museu do Moinho Vitorino Nemésio, do Museu dos Fornos de Cal e dos Carpinteiros do Casal de Santo Amaro, da Exposição da Casa da Freira sobre Moleiros, Cabouqueiros, Carpinteiros, Pescadores do Mondego e Tanoeiros. Publicou em 2007 Os Mosteiros e o Vinho e esteve ligado à criação do Museu da Tanoaria em Miranda do Corvo.


Texto de David Almeida
in NE