Longe da terra distante…
A emigração é um fenómeno antigo no nosso país. Começou a
intensificar-se nos finais do século XIX, agudizou-se no terceiro quartel do
século XX e, hoje, aí está de novo a constituir-se como problema, na medida em
que são as razões económicas que a determinam. A míngua dos meios de
subsistência e as condições precárias de vida das pessoas provocou e provoca
ainda o "êxodo" de muitos portugueses. Se pensarmos que são perto de
cinco milhões que actualmente residem em países estrangeiros teremos uma ideia
mais exacta da dimensão da "Diáspora Portuguesa".
"Os Sãopedralvenses da Diáspora", novo livro de
Alfredo Fonseca, trata deste fenómeno que também nesta região tem sido uma
constante há dezenas de anos. Não se trata de uma obra de sociologia das
migrações mas sim de um conjunto de retratos de muitas Vidas que um dia
deixaram a freguesia de S. Pedro de Alva procurando em África, no Brasil, em
França, em Lisboa, e noutras partes do mundo e do país, melhores condições de
vida e de trabalho para si e para os seus. São histórias de vida recontadas com
respeito, admiração e amizade. Este grande comunicador, depois de - nas obras
anteriores - ter partilhado com os seus leitores muito das suas vivências
pessoais, oferece-nos agora este magnífico trabalho de pesquisa biográfica,
apresentando com maior ou menor desenvolvimento, conforme os percursos de cada
um, os trajectos pessoais e profissionais de cerca de quatro centenas de
sãopedralvenses. Tarefa que só foi possível graças à afabilidade que manifesta
no contacto pessoal, à confiança que transmite, aos valores que defende, ao
imenso círculo de amigos que tem e, claro à determinação em levar por diante
este projecto, à semelhança de tantos outros que ao longo da sua vida
concretizou.
"Um livro é como um filho… só pelo facto de vir ao
mundo me parece importante" -
escreveu certo dia o jornalista Homero Serpa. "Os Sãopedralvenses da
Diáspora" está aí. Agora, merece o carinho de todos nós e os Parabéns ao
seu Autor.
David Almeida
publicado na COMARCA DE ARGANIL, agosto 2012
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